Entre parênteses #5

A primeira vez que vi Bruna foi na minha casa.
A última também.

Em casas diferentes, mas casas ainda assim. Isto é, aquele lugar que a gente passa o café e conversa na cozinha até a garrafa acabar e depois passa mais café.
Naquela primeira casa a gente ia bastante pra fazer isso. A gente encontrava com a Bruna no piquenique e depois arrastava todo mundo pra lá. Passava café e passava a vida entre afetos.
Nessa última casa a gente foi menos e envolveu mais álcool e viradas de anos.
Ainda assim, casas. Quando falo disso, sempre lembro do álbum do Rubel que tem esse nome. Também devo lembrar da Bruna, enquanto escuto o álbum.

Depois de ler tudo que o que as outras pessoas já escreveram e falaram sobre Bruna, senti que não tinha muito a acrescentar além da experiência individual de ter encontrado com ela. Acho que todo mundo deveria ter a oportunidade desse encontro, aliás. (Mas assunto para outros textos).

Quero aqui falar de casas e como a Bruna me faz sentir em casa.

(A mente forte de um jedi
A cuca fresca de um pinguim
Os olhos virgens de criança
E a flor de uma mulher
- Rubel)

Nota 0: todo mundo deveria poder se sentir em casa. Estou falando de casa que a gente escolhe. De casa que é nosso canto, que canta com a gente. Casa que pode ser casa mesmo. Ou pode ser a rua. Ou pode ser o colégio. Ou pode ser pessoa.

(Agora a gente inventa um dia-a-dia novo
Hoje é pra sua voz ficar cansada e rouca
Hoje não tem pressa, não tem choro, nem esforço
Um dia eu lembro aquele tempo foi bem louco
- Rubel)

Nota 1: existe alguma coisa de quando a gente chega em casa que é um alívio. Aquela sensação de muito tempo fora experimentando outros cheiros, outros tempos, outros ajustes. E aí quando chega tem um lugarzinho. Uma escuta, um toque, um carinho. É sobre isso.

(Só não esquece do olhar de criança
Não esquece de lembrar da lembrança
Não esquece de ser dura e forte
Não esquece de olhar pra marte
Não esquece de fazer tua arte
- Rubel)

Nota 2: a Bruna te abraça, com os olhos, com os braços, com o sorriso.

(Eu quero partilhar
Eu quero partilhar
A vida boa com você
Eu quero partilhar
Eu quero partilhar
A vida boa com você
- Rubel)

Nota 4: todo mundo deveria poder se sentir em casa. Em casa-Bruna.

três ou quatro notas de casa_

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texto e ilustração: neilton dos reis, editor.