em construção #4

Corpos em fricções:  diálogo entre Marielle Franco e Paulo Freire__

em construção dessa edição é o Texto + Produção Audiovisual de Bianca Castro, Danielle Oliveira e Cristiane Fernandes.
O material foi um dos selecionados na Chamada Aberta.

Aproveite!

Informações técnicas 

Roteiro e direção: Bianca Castro, Danielle Oliveira e Cristiane Fernandes

Filmagem: Bianca Castro 

Fotografia: Danielle Oliveira 

Artista: Cristiane Fernandes 

Um corpo em atrito – presente em todo o audiovisual –, traz consigo problemáticas históricas, sociais e políticas. Marielle Franco representa as pluralidades de fricções na sociedade, o vídeo questiona esse processo de homogeneização que enaltece determinados corpos e marginaliza outros. Na performance apresentada no audiovisual, destacam-se os marcadores de gênero, raça, classe e sexualidade, evidenciando as redes educativas que formam e desformam um corpo. 

Os discursos de coerção circulam sobre os corpos para reeducar, higienizar, padronizar e marginalizar. Segundo Paulo Freire (1987), a educação bancária é um dispositivo de opressão que visa domesticar nossa realidade com o depósito de um saber exclusivo e excludente. Quando o ser humano caminha sobre estes moldes sociais seu corpo é atravessado por amarras de opressão. No entanto, o confronto do corpo em ter o prazer e domínio de si, mergulhado na complexidade cotidiana, estabelece novos caminhos de autonomia. Por isso, o conhecimento que visa nos oprimir terá sua ruptura no choque do corpo. 

Nós, neste audiovisual, propomos uma produção estética. Uma intervenção com figuras criadas para chocar e deslocar o corpo perfeito. Um corpo com armaduras da hegemonia se despedaçando e inaugurando sobre ele as alteridades de suas redes de dores, afetos e distopias. O roteiro foi elaborado como um “encontro” (PASSOS, 2014) entre o simbólico de Marielle Franco[1] e a perspectiva de Paulo Freire, ou seja, a performance se passa num diálogo subjetivo entre esses dois personagens emblemáticos na atualidade. 

Esse corpo que aprendeensina e ao mesmo tempo é historicamente aprisionado, negado e excluído – tendo o direito de “existir” somente de forma subalternizada –, e está em busca da tão sonhada autonomia, porque até “morto” ele é perigoso. E por isso, ele permanece sendo injustiçado, culpabilizado e silenciado – tendo seus direitos negados –, já tendo se passado 965 sem sabermos quem mandou matar Marielle (?).

Referencial 

ALVES, Nilda Guimarães. Imagens de professoras e redes cotidianas de conhecimentos. Educar em Revista, Curitiba: Editora UFPR, n.24, 2004, p. 19-36.

BUTLER, Judith. Quadro de guerra. Quando a vida é passível de luto? Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2015, p. 13-53.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 44ª ed. – Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2013. ISBN: 978-85-7753-163-9. 

GUMBRECHT, Hans Ulrich. Produção de presença – o que o sentido não consegue transmitir. Tradução de Ana Isabel Soares. Rio de Janeiro: Contraponto e PUC-Rio, agosto de 2010.

PASSOS, Mailsa Carla Pinto. Encontros cotidianos e a pesquisa em Educação: relações raciais, experiência dialógica e processos de identificação. Educar em Revista, Curitiba: Editora UFPR, n. 51, jan./mar. 2014, p. 227-242.