Convida #especial

PLATOHEDRO: A EMERGÊNCIA DE FALAR SOBRE A VIDA_

o “Convida” desta edição traz a narrativa de Maria Collado e Luciana Freischman sobre a residência de Neilton Reis em Platohedro, 2020.

A palavra - autobiografia vem de:
- authos: mesmx / mesmxs
- bio: vida /
- graphos: escrita /

Poderíamos dizer que a autobiografia é uma confissão que não necessita de mediação.
Escrever a história com sua própria voz é um exercício corajoso. A voz da narração decide e afeta o contexto, tem a/efe(i)tos nos corpos, sentimentos e emoções.
Não é a autobiografia um exercício de reconhecimento, memória e afetação ou afeto?

Narrar é dialogar com a vida (e a morte), e falar sobre a vida é um exercício da emergência (de emergir, sair, mas também da urgência que a palavra carrega consigo) e da mesma necessidade de ser: estar com os outros, junto com os outros.

Refletir, escrever, desenhar, falar de si e partilhá-lo, permite-nos encontrar-nos entre pares, entre outras entidades nas quais reconhecemos sentimentos, experiências, cicatrizes. Falar de si mesmo é lembrar, procurar encontros com outras pessoas.
As memórias são um lugar onde reconhecemos, conectamos e geramos comunidade?

Por meio de cenas, comentários e passeios, os textos de múltiplos formatos que Neilton produz são portas abertas, convites para se conectar. Aquele algo inexplicável que nos conecta de que fala Neilton, que ainda não sabemos descrever: será talvez a essência da comunidade? A multiplicidade da vida? Talvez o cosmo- (in) -consciência? Ou talvez o principal alicerce para a busca do Bem Viver para todxs nós.

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