Colcha de retalhos #1

“então vamos dar um jeito de se organizar!”_

na colcha de retalhos dessa edição você descobre como se teceu a criação do Coletivo Duas Cabeças através das narrativas costuradas de: Thuany Ferreira, Juber Pacífico, Bruna Leonardo, Guilherme Freire, Matheus das Dores e Daniela de Amorim.

Acho que como toda luta, começa com uma questão estopim, uma ocasião que leva àquilo. Acho que já tinha um sentimento de que seria bom se a gente fizesse algum tipo de mobilização, mas aquela situação específica que leva àquele sentimento de que a gente tinha que fazer alguma coisa. (Daniela)

O Coletivo ele surge depois de situações pontuais de preconceito que alguns amigos e conhecidos nossos passaram, em relação a gênero e sexualidade. Um desses casos foi com a Thuany. (Juber)

O Coletivo surgiu depois que houve a ação que eu movi contra a boate, né! E aí surgiu disso daí porque já tinham algumas outras histórias de homofobia na Universidade. E meio que esse caso lá da festa foi a gota d’água. O pessoal não tava se sentindo representado. Nem na faculdade tinha um coletivo que representasse a própria comunidade que frequentava a universidade. De LGBT não tinha ninguém pra representar e nem pra dar apoio mesmo. (Thuany)

A gente ficou bem revoltado, porque era um evento da UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora) e ela foi expulsa de lá por estar manifestando afeto com a menina que ela tava. E tava geral lá, todo mundo numa boa, vários outros casais héteros tavam beijando e tudo. E a gente falou “não a gente não pode deixar por isso mesmo, a gente tem que fazer alguma coisa”. A gente resolveu criar um evento que se chamou “EstamPARANDO a homofobia: UFJF”. Acho que foi em maio de 2014. Um evento que conseguiu até uma adesão muito boa. A gente conseguiu chamar a MC Xuxu pra participar com a gente desse protesto. Conseguiu apoio do Movimento Gay de Minas. A gente fez vários cartazes e a gente foi lá pra porta do R.U. (Restaurante Universitário) pra falar sobre. Muita gente veio conversar com a gente pra entender o que tava acontecendo. O início, início mesmo foi por conta desse protesto que a gente fez. O ato foi em 06 de maio de 2014, no R.U. da UFJF. 11h da manhã. (Guilherme)

Eu imaginei que ia ser uma coisa pontual. Uma situação devido a aquela situação. Mas daí acabou saindo o Coletivo. (Daniela)

Eu lembro da gente conversando em R.U., naquele bondão da mesa que a gente fazia. A gente falou: “não, a gente tem que ser organizar, a gente tem que se organizar. Então vamos dar um jeito de se organizar!”. (César)

A gente conversou e falou “ah, vamos criar um grupo?”. (Matheus)

“Pow gente”, eu nem lembro quem deu a ideia, mas aconteceu, “vamos fazer uma reunião pra gente continuar debatendo esse tema, não pode ser uma coisa pontual. Essa nossa manifestação tem que ser uma coisa constante”. (Juber)

“Cara, a gente ficou sabendo desse caso que teve na UFJF. Mas quantos outros casos podem estar acontecendo e as pessoas não tem lugar onde elas possam falar sobre isso, onde elas possam se sentir acolhidas? A gente não tem nenhum espaço onde a gente discute sobre sexualidade, sobre essa intersecção entre sexualidade gênero”. (Guilherme)

E aí eu lembro só da Ágora lotada. 40 cabeças na Ágora ali. Todo mundo falando junto. (César)

A gente começou a se reunir num lugar muito central da Universidade, que é muito simbólico. A gente começou a se encontrar na Ágora uma vez por semana pra organizar algumas coisas em relação ao coletivo. (Matheus)

Dali as pessoas foram participando, foi chegando outras pessoas, outras pessoas se interessando. E a gente falou: “poxa, acho que a gente já tem um Coletivo né”. Um grupo forte de pessoas participando, debatendo vários assuntos. Aí nesse tempo já não era só o caso da Thuany, mas já eram vários casos que a gente tava debatendo e discutindo. Começamos a formular um Coletivo mesmo. (Juber)

A gente resolveu criar o Coletivo que era justamente pra ser um espaço onde a gente pudesse conversar sobre sexualidade. E a gente pudesse ver o que a gente, enquanto pessoas da comunidade lgbtqia+ de dentro da Universidade, quais eram as nossas pautas. E com base nisso a gente poder exigir da Universidade o que a gente queria. (Guilherme)

Bastante pessoas que eram do nosso grupo de amigos. A Bruna ainda não participava do Coletivo, ela ainda não conhecia a gente. (Juber)

Eu lembro que 2014 eu cheguei a ver no Facebook que ia ter uma palestra de lançamento do Coletivo Duas Cabeças, só que eu não tinha a mínima ideia do que era um Coletivo. E aquilo ali me passou em branco. Eu não me aprofundei. Não perguntei pra ninguém. Deixei pra lá. (Bruna).

Eu lembro que foi muito grande. Foi no ICH, naquele auditório maior e ele tava cheio. A gente trabalhou muito ativamente nisso. (Daniela)

E aí a gente fez o lançamento do Coletivo. O Thales escreveu o Manifesto de Duas Cabeças, que era um Manifesto mesmo. E lembro da gente fazendo esse evento lá, uma mesa de debates. Não lembro exatamente quem que foi aquele dia. E eu lembro que assim que a gente falou “ah, tem um Coletivo LGBT na Universidade”, já surgiu a nossa primeira demanda. Que foi a do nome social. (César)

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