Colcha de retalhos #4

“a arte é uma ferramenta imbatível”_

na colcha de retalhos dessa edição, você descobre algumas das produções (artísticas) do Coletivo Duas Cabeças através das narrativas costuradas de César Dornelas, Terra Assunção, Marina Cápua, Michell Marques, Guilherme Freire e Matheus das Dores.

Eu acho que a arte... eu acho não, vai além do achismo. Eu tenho convicção de que a arte é uma ferramenta imbatível quando você vai gerar reflexão. Por que a gente sempre colocava MC Xuxú? Bom, uma travesti preta periférica funkeira, que tava ali cantando a realidade da vida dela. Isso tinha que ser ouvido. Então se a gente pudesse proporcionar, a gente ia proporcionar.
(César)

Lembro de uma proposta de realizar uma cartilha pra poder pensar noções básicas de gênero e sexualidade, o que era identidade de gênero, o que era identidade sexual.
(Marina)

A gente tinha essa preocupação de usar uma linguagem bem acessível. Porque a gente tava conversando com pessoas de todos os níveis, de nível econômico. E aí a gente tinha essa preocupação de fazer uma linguagem mais acessível. Como a gente foi cada vez mais expandindo e saindo da Universidade, a gente tentava fugir um pouco dessa linguagem acadêmica também. Então tinha que ter esse cuidado.
(Guilherme)

Te enviaram o blog? Tem muita coisa legal. Muitos textos. Muita coisa legal. Tem um meu, que escrevi sobre a experiência religiosa.
(Matheus Das Dores)

Essa ideia dos saberes! Engraçado, eu que sempre falava de que a Ciência é só um tipo de conhecimento, mesmo um pouco trabalhando depois com saberes tradicionais, eu não me atentei pra isso.
(Marina)

Eu lembro que chegou a ter um evento naquela concha acústica também. O sarau. Que a gente se juntou. A gente conseguiu o som do DCE, aí teve que ir lá pegar o som.
(Terra Assunção)

Teve um evento do Coletivo que eu estive montada. Foi minha quarta ou quinta montação. Não! Ih bicha, teve mais! Não. Teve um evento do ICH. Teve um show da MC Xuxú, que era da Atlética que o Matheus era presidente. Ali ainda existia Coletivo e eu tava ali montada. Teve o EREGeo que foi muito bom, 4 dias de festa na UFJF. Foi assim, foi nesse ambiente: ambiente acadêmico, ambiente de drag também, de pessoas que tavam reivindicando seus espaços e questionando o posicionamento dos seus corpos ali, sabe.
(César)

Eu lembro que nesse período que eu fiquei, tivemos alguns eventos. Teve esse evento que foi na Concha que teve o sarau com leitura de poesia.
(Terra Assunção)

A época do sarau todo mundo tava participando assim. Ainda, bastante. Eu lembro que foi a galera que costumava ir, foi. No sarau. Eu acho que foi o último evento. Depois dele, algo aconteceu. Depois dele, eu lembro que a coisa foi só diluindo.
(Michell)

Tinha a questão das drags. Que é uma questão que tem uma cena que é respeitada, que é muito boa aqui de Juiz de Fora, que é a cena das drags assim. Fazem um trabalho muito bom e que tinha. A César, por exemplo, eu lembro que se montava. Eu acho que ela tava começando na época assim. Tinha a Lucy. Tinha essas pessoas que faziam o trabalho de drag assim. Que é um trabalho artístico.
(Terra Assunção)

A nossa expressão enquanto drag, mesma coisa. A gente tava ali mostrando outras possibilidades de se portar, de ser visto com um conjunto de elementos que foram elaborados para aquilo ali. Isso é fazer arte: você pegar elementos e coisas e quando você vai pra sua área de domínio da arte, você mostra o que você vai mostrar.
(César)

Eu lembro que teve um evento numa praça que pediram até pra usarem minhas ilustrações que eu tinha antigas. Tinha propostas assim. Geralmente todas as propostas de evento tinha também um caráter, sempre tem um caráter também de valorizar a produção da galera. Mas assim, não era o carro-chefe do Coletivo.
(Terra Assunção)