Aprendi no coletivo #7

“sobre auto-respeito”_

O aprendi no coletivo dessa edição traz a narrativa de Matheus das Dores, integrante do Coletivo Duas Cabeças.

Ficou na memória. Eu aprendi muito com o Coletivo. Muito. Sobre identidade. Eu acho que sobre auto-respeito. Sobre me olhar e me falar assim: “velho, eu sou assim e tô feliz do jeito que tô; e tá bem, tá legal”. Eu nunca me respeitei. Eu nunca me aceitei ser do jeito que eu sou. Quando eu falo isso, eu falo de maneira geral. De me olhar e não gostar do meu jeito de andar, do meu jeito de falar. Nunca me respeitei.

Eu acho que foi isso que o Coletivo fez. Foi coisa de empoderamento. E isso foi o mais legal de tudo.

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E até o que não deu certo, acaba que de uma maneira geral deu certo. Porque gerou debate. Quando eu falo debate, eu não falo debate coletivo. Eu falo de debate aqui dentro mesmo. Da gente pensar certas coisas. Porque não adianta a gente adotar uma postura completamente radical e nisso a gente excluir tudo que faz a gente feliz, que faz a gente bem. Eu acho que isso é muito importante. Uma das coisas mais importantes pra mim.

Isso foi um ponto de reflexão muito forte pra mim, de que moralidade é essa. Porque a gente quer escapar de uma moralidade e acaba entrando em outra. E assim, isso é fato. E aí você fica se perguntando: por que esse tanto de moralidade? Pra que eu ficar definindo espectros de vida?

Eu prefiro, hoje, pensar na vida, ter uma ética de vida, de comportamento muito mais ligado àquilo que me afeta, no sentido afetivo mesmo, do que aquilo que acham que é certo. Por que em quantos momentos a gente ta certo e depois pensa “poxa, estou certo, mas não era isso que eu queria”?

Então é isso, tudo que eu vivi lá, tudo que eu vivi foi um aprendizado. Até mesmo pra repensar minhas relações.

Te falar uma coisa que aprendi com o coletivo: esse negócio de direita e esquerda na Universidade é muito da classe média. Uma classe média rebelde contra uma classe média que não é rebelde. E brigam entre si. E no final de tudo, essa classe média tanto de esquerda quanto de direita, ela é odeia o diferente. Ela odeia o pobre, ela odeia a minoria, ela odeia tudo. Ela só anda quem concorda com ela.

Essa é uma coisa sobre a esquerda e a direita. E é um universo que não é nosso.

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texto: matheus das dores.