Aprendi no coletivo #2

“a pensar, refletir, exigir”_

aprendi no coletivo dessa edição traz a narrativa de Bruna Leonardo, um dos principais e mais especiais nomes do Coletivo Duas Cabeças que conta algumas coisas que aprendeu naquele espaço.

Foi muito, muito importante.
O Coletivo em si, ele me ensinou muita coisa. Ele expandiu minha militância, abriu meus horizontes. Ensinou a lutar por direitos. A pensar, refletir, exigir. Nossa, ele fez toda diferença na minha vida.

Quando eu vi no Facebook o chamado, ah “Chamado pra primeira reunião...”. Primeira reunião, não. “... pra palestra de inauguração do Coletivo”. Eu li aquilo, não entendi o que era, não perguntei pra ninguém. Deixei passar em branco.

Eu nunca tinha ouvido falar, por que eu não sou da Universidade. Nunca fui. Então assim, eu não fazia ideia do que era. Fui fazer ideia quando eu fui na reunião. Aí fui entender o que era assim, mais ou menos. O Coletivo era aberto pra pessoas que não eram estudantes, era aberto pra comunidade. Então eu pude fazer parte também . E isso é muito importante, muito bacana.

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Eu acho que o Coletivo foi muito importante para as pessoas saírem do armário. Ali nas ocupações que tiveram na UFJF, nas ocupações que tiveram no João XXIII. As pessoas lgbt da cidade sabiam que em Juiz de Fora tinha um Coletivo que quando tem uma matéria sobre lgbtfobia é chamado pra dar uma entrevista. Então assim, “por que eu não posso sair do armário? Por que eu não posso fazer isso?”. Eu acho que quando o Coletivo tava atuando, ele foi muito importante pra encorajar as pessoas a se assumirem, a terem mais coragem de lutar pelos seus direitos, sabe! É meu ponto de vista.

Eu acho que o legado, pra mim, enquanto militante e ativista, fica num aprendizado. Eu aprendi muito. Aprendi a lutar, a reagir, a ver a vida de outra forma. Aprendi a enxergar a vida de outra forma. Ficou a amizade. Muitas pessoas que eu conheço aqui de Juiz de Fora é devido ao Coletivo. O Força Trans acaba que eu acho que só aconteceu por que eu tive esse aprendizado do Coletivo. E depois o Resistência Trans.

E o meu próprio trabalho, né. Eu fui chamada pra lá porque eu fui convidada pra fazer um cine-debate. Aí eles ficaram sabendo da minha história, ficaram sabendo que eu não trabalhava. E me chamaram pra trabalhar.
Eu falo que eu sou muito grata à minha militância porque o meu próprio trabalho foi um presente dela.

Então assim, amizade, pessoas conhecidas. Eu fiquei muito conhecida, a minha militância aumentou muito de ativismo, por cauda do Coletivo. Isso é muito importante. Foi muito importante pra mim esse legado.

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texto: bruna leonardo, ativista.
ilustração: neilton dos reis, editor.